sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cartola - Cartola (1974)


Você, como todo nerd loser tetudo, só conhece bem o seu quarto e seu computador e provavelmente o mais perto que tu chegou de uma favela foi jogando GTA no teu Playstation. Pois bem, dessa vez o FLIPERAMA ZEN vai mostrar uma outra realidade pra vocês: a realidade das ruas, YO. Como em todo lugar do mundo, a favela também tem seus losers, gatas e pegadores. Só que aqui, ao invés dos pegadores afogarem a sua cabeça na privada, eles te enchem de pipoco. Vida Loka, mano.

O principal personagem da história de hoje é o gênio Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. Ele nasceu no Rio de Janeiro e foi o primeiro dos 8 filhos que seus pais tiveram. Desde cedo, Angenor teve contato com a DURA realidade da pobreza. Roupas rasgadas, sujeira e comida dia sim e dia não. Os pais do garoto não tinham sequer um centavo no bolso para dar uma BOLITA pro menino. Pra piorar a situação do cara, ele era nerd. Sim, acredite, mesmo na favela existem NERDS. Cartola era um deles, feioso, franzino e não sabia jogar futebol.

Mas a vida de um nerd pobre não é como a de todos os outros. Quando completou 15 anos, Angenor teve que largar a escola. Mas não pense que foi pra ficar vendo Dragon Ball e jogando video game o dia todo, como você faz nas férias, seu nerd loser. Cartola teve que ir TRABALHAR. Virou auxiliar de Pedreiro, e foi carregar sacos de cimento sob um sol escaldante. E foi no dia a dia das obras que Angenor conheceu aquilo que iria desgraçar sua felicidade: GATAS.

Cartola passava o dia todo PEDREIRANDO as mulatas que passavam na rua. Obviamente nenhuma dava mole pro nosso pobre amigo. Quem iria querer um pedreiro magricelo de havaianas? A vida não era fácil para Cartola. Mas foi num desses dias rotineiros de trabalho que Cartola viu o trasei...digo, o caminhar de uma NOVINHA que viraria sua cabeça. Sheila era uma bela morena, desejada por todos na comunidade. Mas nosso amigo sabia que não tinha muitas chances sendo um nerd fracote. E ele, enloquecido pelo andar da morena, decidiu o que fazer: virar MALANDRO.


"Malandro é malandro, mané é mané."

Angenor largou o trabalho. Trocou as havaianas e camisetas regatas de REDINHA por roupas brancas, boinas e correntes. Passava o dia de bar em bar. Começou a tocar cavaco e cuíca, pra trovar as morenas que passavam. E foi atrás da gata dos seus sonhos. E malandramente, conseguiu aquilo que queria: o trasei...digo, o amor de Sheila. Mas nada é fácil na vida de um nerd loser e obviamente esta história não é uma exceção.

Nosso amigo Cartola sempre se encontrava escondido com a sua amada. Era feliz, mas não entendia bem o motivo de esconder o seu amor. Ele queria gritar pra todo malandro que encontrasse que aquele trasei...amor era dele. Angenor estava feliz e passeava pelo morro, de bar em bar, enquanto esperava a hora de encontrar a sua morena. Mas ele não esperava que seria num desses bares que ele veria aquilo que quebraria seu coração: Sheila no colo de outro malandro. É meu amigo, aquilo estremeceu o pobre coração do nosso amigo. Ele pensou fazer uma bobagem, tirar satisfações, arrumar confusão. Mas seu lado LOSER falou mais alto. Cartola só tinha forças pra chorar. Felizmente.

O martírio de Cartola revelou um dom que ninguém conhecia no pobre menino franzino. Todos sabiam que ele tinha algum talento pra música, mas ninguém esperava o que veio a seguir. O pranto do nosso amigo inspirou as mais belas canções que esse país já ouviu (e se não ouviu, vai ouvir, não é mesmo seu nerd?). Cartola é único e expressa em suas canções uma tristeza sincera e singular. Durante anos, escreveu diversas músicas que ficaram semi esquecidas pelos morros. Somente anos depois, quando nosso amigo já era um velho (safado) de 65 anos que ele gravou seu primeiro registro. E é esse disco que lhes apresento agora.


"Cartola (CANALHA) passando a trova nas GATAS."

Cartola, de 1974, é um disco sensacional. Em sua (curta) meia hora, podemos perceber porque todo mundo costuma se referir ao nosso amigo como "POETA". Discorrendo sobre seus amores e dissabores, Cartola mostra toda beleza possível de encontrar na tristeza humana. "Tive Sim", "Alegria" e a matadora primeira faixa não me deixam mentir. Deixa de preconceito (e eu sei que você tem preconceito com o samba, seu nerd loser tetudo), baixa o disco, escuta, disfarça e chora. Enfim,


Disco: Cartola

Artista: Cartola

Estilo: Samba




segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cap'n Jazz - Analphabetapolothology

O ano é 2004. Estamos na oitava série e você é um nerd loser tetudo. Você tira 10 em todas as matérias, mas as suas chances com as garotas da turma são inversamente proporcionais a quantidade de espinha que existe na sua cara. E sabemos que você já apelou para tudo: já comprou um boné da nike e já comprou uma camiseta do Iron Maiden. E também sabemos aquilo que hoje você tenta esconder: que você pediu pro seu Zé da Barbearia não deixar mais o cabelo repartido, e sim uma FRANJA. Que tu fez trabalhos pros pegadores em troca de dinheiro para comprar uma MUNHEQUEIRA. Que tu escreveu no teu All Star I S2 MCR. Não precisa negar, nós sabemos tudo isso. Que tu cantava emocionado"Um Minuto Para o Fim do Mundo", que tu ouvia Simple Plan. Mas o que você não sabia é que isso não começou com o CPM22 em 2004. E é sobre uma das principais bandas do EMOCORE (sim!) que o Fliperama (depois de um LONGO HIATO) vai falar!

Tim Kinsella é um nerd americano clássico, desses que tu só vê na sessão da tarde: magrelo, feio e espinhento. Sua rotina é (como todo bom nerd loser) é ir bem em todas provas e apanhar dos jogadores de futebol americano. Enfim, uma vida normal de um nerd, como a sua e a minha. Porém Kinsella, antes mesmo de ter pêlo no saco, já começou a sofrer suas primeiras decepções amorosas. Tudo que Tim sempre quis foi poder brincar com sua vizinha no parquinho. Mas é claro que ela nunca quis brincar com ele. Quem iria querer brincar com o nerd que ainda andava de bicicleta com rodinhas? Ela preferia andar com os DURÕES que empinavam suas Bikes na rua.

O tempo passou, mas a paixonite de Tim Kinsella por sua vizinha não. Enquanto os peitos da vizinha dele não paravam de crescer, ele continuava tendo espinha e perdendo todo dia o dinheiro do seu lanche pros caras da escola. Até que um dia, Tim resolveu mudar . Ele estava cansado de ter sua cabeça afogada na privada e queria ser um cara durão. Mas como ser durão, se tu não consegue nem bater no teu próprio irmão mais novo? Mal sabia Tim que sua vida mudaria justamente depois de uma briga com seu irmão mais novo (chamado Mike Kinsella).

Após ser alvo de pancadas do irmão, Tim procurou vingança: pegou os discos favoritos do cara pra tocar fogo. Porém um dos álbuns lhe chamou a atenção: um careca, de cabeça pra baixo, num canto, como um nerd loser! Ele resolveu escutar o tal disco. Era de uma banda chamada Minor Threat. Ao ouvir aquele disco, Tim teve uma revelação: ele também poderia ser durão. Kinsella poderia se tornar HARDCORE. E ele sabia o que fazer: rasgou suas calças, fez um moicano e gritou contra o sistema. Tim agora era um PUNK HARDCORE. Ele não fazia mais os temas, não ia mais na aula. Ele não lavava mais a louça e agora ficava o tempo que quisesse no banheiro com a revistinha da AVON da mãe dele.

"Punk Rock Até Os Ossos!"

Tim fez as pazes com seu irmão. Aprendeu a "CANTAR". Escreveu letras de protesto e formou uma banda com o irmão. Agora ele era um cara durão, com uma banda durona. Era o que ele precisava pra chamar a atenção do seu grande amor. Mas amigos, como vocês podem bem imaginar, a vida de um nerd não é fácil assim. Você pode até fugir, mas o seueu "nerd" sempre estará em você. E foi assim com nosso amigo Kinsella. Ele ainda era o mesmo bunda mole loser. Ele ainda apanhava dos Jogadores de futebol americano. E sua banda era alvo de piada da sua vizinha.

A época de Hardcore de Tim Kinsella não durou muito tempo. Porque continuar se ele não pode ter o amor da vida dele? Ele não se interessava mais em cantar, não queria saber mais de escrever letras, nem de protestar contra o sistema. Kinsella estava na fossa. Passava os dias comendo chocolate e assistindo Barrados no Baile. E foi num desses dias, num intervalo do programa, que Tim viu algo que mudaria sua vida: o clipe de Take On Me, do A-Ha. Tim finalmente percebeu que ele não precisava ser durão para se dar bem com as gatas. Que as garotas gostam também de caras EMOTIVOS. E foi aí que nasceu o Cap'n Jazz, banda seminal do Emocore.

Junto com seu irmão e seus amigos, ele formou a banda que seria exemplo para mil e uma bandas que viriam depois. Munidos de munhequeiras, cintos de rebite e muito gel para arrumar as franjas, gravaram diversos demos e EP's. Todos estes EP's estão reunidos no disco que apresento agora.

"Tim Kinsella e sua franja emo."

Analphabetapolothology é um verdadeiro grito de desespero de todos os nerds losers. Sem exagerar no sentimentalismo, as diversas canções da antologia conseguem passar toda a confusão de uma cabeça adolescente (de um nerd loser, pra ser mais claro). Oh Messy Life, Basil's Kite e diversas outras exemplificam isso. Os vocais desesperados do Tim, os ritmos rápidos e quebrados, tudo isso exprime tudo aquilo que você sempre quis guitar. Escute Analphabetapolothology e aproveite para gritar tudo isso junto com o Tim. Enfim,


Disco: Analphabetapolothology

Artista: Cap'n Jazz

Estilo: Emocore, Hardcore





sábado, 4 de setembro de 2010

The Beach Boys - Pet Sounds

Pois é amigos, depois de um tempo de recesso, estamos de volta pra mais uma história VERÍDICA sobre discos legais - ou nem tão legais assim. Já que pediram, vamos entrar de vez no mundo do surf. Acho que todo nerd tetudo sabe bem que tipo de caras fazem sucesso com as gatas. Sim, ROQUEIROS ou ESPORTISTAS. Neste caso, surfistas. Tu sabe, todos sabem, pranchas de surf atraem garotas. Tu sabe, tanto que comprou uma PLANONDA e uma camiseta da Billabong. Mas é óbvio que nenhuma gata te quis, porque essa tua cara de nerd tetudo espinhento não engana ninguém.

Bom, a história dos nossos amigos do The Beach Boys começa lá na Califórnia. Sim, a terra dos surfistas. GATAS, PRAIA, CARROS, GATAS e GATAS. Lá na Califórnia vivam três irmãos: Brian, Carl e Dennis . Espertos que só, aprenderam desde pequeno que o surf poderia lhes render BELOS FRUTOS. E assim foi uma boa parte do tempo. Juntos com seu primo Mike Love (podem imaginar o porque desse "Love", né não?) e o amigo Alan Jardine, passavam as tardes surfando e trovando as menininhas na beira da praia. A vida que todo nerd tetudo pediu a deus.

Mas é claro que esta história não estaria aqui se não tivesse um pouco de sofrimento. E foi o que a adolescência trouxe para eles. É amigos, não é só nos nerds tetudos que nasce espinha. Não é só nos nerds tetudos que as TETAS começam a crescer. Mas é claro, eles ainda eram surfistas. Ainda chamavam a atenção das GATAS na praia. Ou não. É amigos, os surfistas também foram trocados. Por roqueiros. As garotas que antes corriam atrás dos seus calções floridos agora estavam mais interessadas nas calças apertadas e nos ternos dos garotos com cabelo em forma de tigela.

Pois é amigos, eles não tinham mais nada. Eles até eram bons em matemática (como a gente!) mas isso não fazia sucesso com as garotas (como a gente).Então eles apelaram. Compraram as calças apertadas, cortaram o cabelo, começaram a fingir que estavam bêbados e que vieram da Inglaterra. Até aprenderam a tocar. Mas não deu muito certo. Resolveram largar tudo.

"The Beach Boys traindo o movimento Surf, véio"

E foi aí que eles encontraram a solução. Ao guardar os instrumentos, no porão de casa, Brian encontra uma cópia de um velho disco: "King Of The Surf Guitar", de Dick Dale. Perguntou pro seu pai a fonte, e ele disse: "Ah, este é um velho disco que seu vô escutava." Instigado, resolveu escutar. Foi aí que ele encontrou a solução: eles não deveriam imitar aqueles roqueiros britânicos. Deveria fazer um surf rock a la Dick Dale. E foi o que eles fizeram. Juntaram-se novamente, e resolveram ver se dava certo. E deu. Foi sucesso atrás de sucesso, Surf atrás de surf e gata atrás de gata (OPA). Eles agoram eram os reis da praia.

Mas Brian Wilson (o mais NERD de todos os Beach Boys) se sentia estranho com tudo isso. É claro que ele gostava muito de ter uma gata diferente cada noite (ele era LESADINHO, mas nem tanto), mas ele queria algo mais (amor? haha). Ele sabia aonde tava se metendo, e obviamente se ferrou. De maneira cruel. Ele até encontrou o amor. Mas a rejeição lhe encontrou. Encontrou toda a banda. Os roqueiros de cabelo de tigela resolveram mudar. Deixar o cabelo crescer, deixar a barba crescer. Experimentar coisas novas. E levar todas as gatas com eles. Inclusive o amor de Brian Wilson.

Os garotos da praia não aguentaram. Afundaram-se nas drogas e na depressão. Experimentar esta sensação novamente não iria ser fácil. Enquanto alguns já desistiam da carreira, Brian Wilson continuava errante pelas praias. E foi em um praia deserta que ele novamente encontrou uma solução. Ao caminhar pelo noite, totalmente fora da casinha, encontrou uma RODINHA DE VIOLÃO. Um cara de camiseta florida entoava algumas belas músicas e alguns belos clássicos (Legião e Raul, é claro). Wilson aproximou-se do cidadão e falou: "Belas músicas cara. Eu tinha uma banda também, The Beach Boys, conhece?" O cara respondeu: "Claro, eu escuto bastante. Também sou artista, J. Johnson. Tenho duas músicas pra te mostrar, talvez você goste de alguma e queira gravar."

O cantor desconhecido mostrou duas canções para Wilson: SITTING, WAITING, WISHING e GOD ONLY KNOWS. Esta última fez a Wilson chorar. Impressionado, pegou a música e foi pra casa. Lá, em seu estúdio começou a compor e gravar. Chamou seus companheiros de banda, pra mostrar o que ele estava fazendo. Todos impressionados, resolveram voltar. O The Beach Boys estava de volta, pra gravar um dos discos mais lindos de toda a história.

"Nenhum animal morreu durante a gravação."

Pet Sounds é perfeito. Nada esta fora do lugar. Os vocais, os arranjos, as melodias. As guitarras, as cordas, o theremin, as garrafas, os latidos, os sons bizarros, as buzinadas de bicicleta. Todas as músicas fazem sentido, todas as músicas são espetaculares. Nenhuma ganha de God Only Knows, mas todas merecem estar ali ao seu lado. Enfim, Pet Sounds influenciou quase todo mundo depois dele, redefiniu a música Pop. Mas se nada disso te importa, enfim, só posso dizer que ele é lindo demais. Que as letras são de cortar o coração. E que mesmo assim, consegue encher o coração de uma esperança inexplicável (????). Enfim,


Disco: Pet Sounds

Artista: The Beach Boys

Estilo: Pop, Rock


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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dinosaur Jr. - You're Living All Over Me

É triste ser um nerd aos 12 anos. Tua voz muda, tu começa a ter espinhas, nascem pelos no teu suvaco e tu começa a se interessar pelas garotas. Obviamente elas não dão bola pra você, porque tu és novo demais pra elas e porque tu és nerd, claro. O cara então começa a fazer coisas idiotas. Procurar "algo" que o torne UM CARA LEGAL. J Mascis, aos 12 anos estava nesta busca. Cansado de ter a cabeça mergulhada na privada todos os dias, Mascis buscava algo que o tornasse realmente MAU.

Foi aí que ele conheceu o HEAVY METAL. Impressionado pelas camisetas pretas com imagens demoníacas que seu primo usava, Mascis resolveu se tornar um metaleiro. Economizou o dinheiro do lanche e comprou o disco que mudaria sua vida: The Number Of The Beast, do Iron Maiden. Foi um choque na sua família. O queridinho da vovó agora só ficava a ouvir a música do número da besta. Começou a deixar o cabelo crescer. Comprava roupas pretas. J Mascis já não sorria mais.

J Mascis: Metaleiro From Hell

Porém ele descobriu uma triste verdade: ter o cabelo grande e saber de cor todas as músicas do Iron Maiden não é relevante para as garotas, nem para as metaleiras. J Mascis continuava a ser o mesmo nerd tetudo loser. E foi aí que seu primo metaleiro lhe disse uma outra verdade sobre o metal (e o mundo, em geral): TER UMA BANDA = GATAS. Seu primo falou que ele deveria aprender a tocar algum instrumento e lhe deu uma velha guitarra. J então passaria sua adolescência tocando guitarra. Passava as tardes praticando e fazendo outras coisas (você sabe o que, nerd tetudo) que deixariam seus dedos rápidos. Seu plano era ser o guitarrista mais rápido de todos. E ele conseguiu.

Passado os anos, era a hora de colher os frutos de todo seu sacrifício para se tornar o melhor. Era a hora de formar uma banda. Junto com outros amigos extremamente rápidos em seus respectivos instrumentos, formou o DINOSAURFORCE, uma banda de metal melódico. DINOSAURFORCE se tornou uma banda muito respeitada dentro do cenário headbanger. Com extrema técnica, letras ÉPICAS e um vocal poderoso, atingiram rapidamente um alto status. E foi aí que J Mascis teve o que sempre desejou desde seus 12 anos: GATAS. Seus solos gigantescos e seu cabelo comprido atrairam as COCOTAS. Ele tinha todas as mulheres que queria. Ou QUASE TODAS.

Neste mesmo blog já contei histórias que provam que o cara, uma vez nerd loser, sempre será NERD LOSER. Por mais que você tente fugir, uma hora você vai se ralar. E foi aí que Mascis, no auge da sua fama como metaleiro, sofreu algo que iria abalar sua carreira: uma rejeição. Mascis conheceu uma menina que se tornaria sua obsessão: Lady Diane Dark. Lady Dark era uma bela metaleira, desejada por todos cabeludos espinhentos da cidade. E nosso amigo J se apaixonou por ela. Aproximaram-se, tornaram-se amigos. Porém, pra tristeza de Mascis, só amigos. Mas nosso querido amigo não desistia, corria atrás e fazia tudo por ela. Até saber de algo que o mataria: Lady Dark estava namorando.

O mundo do nosso amigo nerd caiu. Muito abalado, não conseguia mais viver direito. Ficava em casa comendo , bebendo e chorando. Já não ensaiava e não queria fazer shows. Mascis já não era mais o guitarrista mais rápido do mundo. E nem queria ser. Seus companheiros de DINOSAURFORCE o expulsaram da banda. J já não tinha mais motivos para viver. Os poucos amigos que continuaram do seu lado, tentaram reanimar nosso querido guitarrista. Tentavam convidar o cara pra sair, despairecer. Ele preferia ficar em casa, pensando na sua amada. Um dia, após muita insistência do seu amigo LOU BARLOW, ele aceitou ir ver um show de um tal de Neil Young. E foi nesse show que Mascis voltou a vida.

Um cara estranho, com uma voz "feia" e que cantava belas canções sobre corações partidos. Canções com os mais belos solos que ele já tinha ouvido. Mascis ficou de queixo caído, e saiu do show com o mesmo sentimento que teve quando seu primo lhe deu aquela guitarra. Empolgado, animado, esperançoso. Queria transformar toda sua decepção em música. E junto com seus amigos Lou Barlow e Murph, J formou o Dinosaur Jr.

Barulho, desilusões e...umbigos de fora?

You're Living All Over Me é o segundo disco do Dinosaur Jr. e um marco na história do rock alternativo americano. O ponto mais alto da carreira da banda, onde todas as influências estão perfeitamente dosadas. A "raiva" punk, o noise, as distorções, o metal (SIM) e os solos incríveis. Além dos sensacionais (SIM porra!) vocais "desesperados" de J Mascis. Escuta Sludgefeast, Raisans (um hino STALKER), Kracked pra tu ver. Além de um pouco da "personalidade" do Lou Barlow (mais tarde melhor explorada nos trabalhos solos - Sebadoh e etc) e um cover matador. You're Living All Over Me é um murro na cara. Um monte de sofrimento e corações quebrados ao som de belos solos barulhentos. Enfim,


Disco: You're Living All Over Me

Artista: Dinosaur Jr.

Estilo: Alternative Rock


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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Whiskeytown - Faithless Street



Você, loser, provavelmente acha a vida bem complicada né? Eu sei, você só apanha, só sofre, só faz merda e ninguém te quer. É, é complicado. MAS PODERIA SER PIOR. Imagine não ter dinheiro e morar no interior! Impossível? Pois bem, o texto dessa vez trata de um cara assim. Um grande loser caipira, Ryan Adams e seu grupo Whiskeytown.

Nossa história começa no interior de Jacksonville. Em uma casa muito pequena, situada num pequeno sitio, vive a família adams, composta por Sr. e Sra. Adams e seus 5 filhos: Ryanne, Rychard, Ryland, Ryan e Rayan. Ryan e Rayan, os filhos mais velhos, são os personagens principais desta triste e incrível história.

Desde muito cedo, os dois tiveram que TRABALHAR. Acordar todo dia cedo, tirar leite da vaca, pegar os ovos das galinhas, limpar o celeiro. Pela tarde, iam para a escola rural, aonde apanhavam dos REDNECKS ESTILOSOS COMEDORES. É amigo, a vida deles era sofrida. Ao voltar pra casa, tinham que trabalhar mais e mais. No fim do dia, eles se dedicavam aos dois grandes prazeres da vida deles: Tocar violão e escutar suas duplas sertanejas favoritas: Chitãozinho e Xororó, Milionário e José Rico, Tonico e Tinoco, entre outras.

O tempo foi passando, e Ryan e Rayan cresceram. Acumularam responsabilidades. E desejos: PEGAR GATAS. Porém os dois eram nerd losers (e pobres!) e obviamente não tinham chance com as gatas do campo. Numa destas noites frias no campo, Ryan, escutando seu irmão tocar seu costumeiro violão de todos os dias, teve uma ideia. Foi e falou para seu irmão: "Ei mano Rayan. Nos temo talento mano. Tu toca violão bem, eu canto bem. Porque não fazemo uma dupla sertaneja? É a nossa chance com a muréiada mano! Não quero mais a cabrinha Dolores toda a noite".

E assim nasceu um sonho. Ryan e Rayan, mesmo contrariados pelos pais, resolveram ir a luta. Abandonaram Jacksonville e partiram rumo ao sucesso. E o encontraram. Começaram por baixo, é claro. Tocando covers em churrascarias, bares de estradas e puteiros. Mas de grão em grão a galinha enche o papo. E assim, surgiram as primeiras GATAS. Depois de muita luta, Ryan e Rayan lançaram seu primeiro grande cd. Com ele, primeiro grande sucesso: University Ballad.

Ryan & Rayan: uma dupla de sucesso

Antes de mais um show numa Churrascaria, Ryan e Rayan receberam uma grande proposta: turnê no BRAZIL, terra do sertanejo, abrindo para Gian E Giovanni. Os dois aceitaram sem pestanejar, era a chance de conquistar o mundo todo. Felizes, partiram para o show. E durante ele, Ryan viu alguém que mudaria sua vida para sempre: Darlene. Moça do campo, muito linda e com BELOS ATRIBUTOS. Amor a primeira vista. Ao fim do show, Ryan foi conhecê-la. Disse que estava encantado, que estava apaixonado. Disse que queria casar com Darlene. E disse pra ela esperar: "Darlene, ao fim desta turnê com Gian & Giovanni, retornarei e vamos nos casar. Me espere, amor". E assim Ryan se despediu de Darlene, e partiu para a grande turnê.

Mas e aí que o drama de Ryan Adams começa, meus amigos. A turnê, promissora, foi um fracasso. O público brasileiro não aceitou aqueles dois americanos metidos a caipira. Foram vaiados, humilhados. E Ryan e Rayan brigaram. Rayan acusou Ryan. Falou que Darlene virou a cabeça dele. Ryan não admitiu que Rayan falasse assim de sua amada. E assim, os irmãos se separaram. E voltaram para a América. Ryan, ainda confuso, resolveu voltar para casa, para encontrar sua amada. Porém, ao chegar em casa, Ryan sofre um segundo, e derradeiro baque. Em cima da mesa, Adams encontra um Envelope. Uma carta. Com letras douradas, num papel bonito, lê a sua maior decepção: "Convite de Casamento de JORGE E DARLENE". Ryan não aguenta. Começa a chorar copiosamente. Deixa o convite cair no chão, e aí avista o golpe fatal. Num cantinho, rabiscado no verso: "Meu amor, eu confesso. Estou casando, mas o grande amor da minha vida é você."

Ryan Adams, sozinho, sem seu maior amigo e parceiro, o irmão Rayan, e sem sua amada, Darlene, se vê perdido. Sem saber aonde ir. Vai pro bar e bebe para tirar aquela dor do peito. Mas não adianta. Nada cura a dor de Ryan. Em uma das suas andanças noturnas, tentando esquecer a amada que estragou sua vida, Adams passa por um bar diferente. Deste estabelecimento, vinha um som muito lindo, meio "country". Ryan se apaixona pela música. Adentra e vê que falta um vocalista, era uma banda "instrumental". Ainda bêbado, entrega para eles suas letras e pede para se juntar a banda, como vocalista. E assim nasce o Whiskeytown.

Whiskeytown, o bar e centenas de casos de amor.

Alimentado pelas rejeições, pela bebida e pela vida bucólica do campo, e influenciado por seus mestres Gram Parsons, Xororó, etc., Ryan e o Whiskeytown gravam Faithless Street. Em 21 músicas, o Whiskeytown passeia pelos clichês do country, com um pé no rock alternativo americano. Tá tudo lá. O sotaque country junto com as guitarras sujas a la Replacements. Um punhado de músicas sensacionais. Drank Like A River, If He Can't Have You, Excuse Me While I Break My Own Heart Tonight, 16 Days. Um monte de música de corno, um monte de música triste. Você, nerd loser, vai se identificar. Vai sentir o cheiro de bosta de vaca, o cheiro de grama molhada. E vai querer ir morar no campo. Enfim,

Disco: Faithless Street
Artista: Whiskeytown
Estilo: Alternative Rock, Country


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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Big Star - #1 Record/Radio City

Eu sei, você já está cansado dessa história de "powerpop/colorido". Já não aguenta mais o Fiuk, o Restart, o Cine e o Brokencyde. E eu sei também que tu comprou um calça apertada colorida, pra tentar pegar alguma gata.Mas ela nem serviu em você, seu nerd tetudo. Mas é a vida, e assim segue você, na falta de sacanagem. Enfim, este blog tem o COMPROMISSO COM A VERDADE. E é necessário esclarecer algumas coisas sobre esses seres que estão na moda agora. É preciso mostrar pra garotada as origens do estilo. E é neste texto que falarei sobre a primeira banda Powerpop da história: BIG STAR.


Tudo começa com a história de Alex Chilton. Ele, aos 16 anos, era um...PEGADOR. Sim meus amigos, ele incrivelmente não era um nerd gordo perdedor. Desde pequeno ele sempre se deu bem. Todas as garotas da pré escola queriam ser "ATENDIDAS" pelo doutor Alex. Ele surrava nos gordinhos e humilhava os nerdzinhos. E tinha sua própria Boyband. Sim meus amigos, antes de criar a maior banda de Powerpop, Alex Chilton teve o The Box Tops, principal influência Backstreet Boys e toda essa galera.


Porém O The Box Tops durou pouco tempo. Chilton, comedor-mór, tinha um temperamento complicado e não aceitou que seus parceiros de boyband também tivessem o cabelo repartido. E assim, terminou com a banda. Após o fim do Box Tops, Chilton encontrava-se meio perdido. Seu cabelo repartido já não fazia muito sucesso com as garotas. Ele precisava revolucionar, se reinventar. Ele percebeu que nessa época o que estava dando certo era o Rock And Roll. Beatles, Kinks, etc, sabe? Era um monte de gatas gritando para aqueles caras de cabelo ensebado. E era isso que ele queria.


Alex Chilton juntou seus discos favoritos dos Beatles, Kinks, Byrds,etc, colocou tudo embaixo do braço e foi a luta. Queria descobrir o que esse som tinha e como ele deixava as gatas loucas. E foi direto pra origem do rock: o gueto. Mas lá já não existiam mais aqueles caras de bigodes esquisitos que caminhavam como um pato. Só negões de cabelos coloridos e roupas esquisitas, que, incrivelmente, faziam sucesso com as garotas. Chilton, intrigado e instigado com tudo isso, perguntou a um maluco que viu na rua, rodeado de garotas: "-Cara, como tu consegue isso? São tantas garotas!" O maluco, prontamente respondeu: "-Pois é branquelo, essas meninas são super freaks. Mas o que deixa essa mulherada doida, além do meu GINGADO, são estas calças. Experimenta aí amigo. Elas pinicam, mas fazem a diferença." E assim nascia o legado das calças coloridas.

Munido de calças de diversas cores, Chilton se juntou a outros amigos canalhas, Chris Bell (GÊNIO), Andy Hummel e Jody Stephens, e gravou o primeiro disco do Big Star: #1 Record. Juntou o que aprendeu com o soul, com o rock, e elevou a enésima potência. É clássico atrás de clássico. E além disso tem a Thirteen, também conhecida como "música mais foda do mundo".

BIG STAR: IRREVERENTES e COLORIDOS

Mas a nossa história não acaba por aqui. Infelizmente (ou felizmente), Alex Chilton e Chris Bell, durante a gravação do segundo disco brigaram. Chilton e Bell não se decidiram quem usaria a calça verde limão na capa do disco. Ninguém queria dar o braço a torcer. Egos inflamaram. Chilton falou "-Se a sua estrela não brilha não tente apagar a minha". E era o fim da parceria, mas não o fim da genialidade. Bell saiu da banda, deixou algumas canções e foi fazer seu excelente disco solo (I Am The Cosmos - corre baixar também, nerd tetudo). Chilton, Hummel e Stevens continuaram. finalizaram o Radio City: um pouco mais "sombrio" que o primeiro, mas com tudo aquilo que fez de #1 Record um clássico. You Get What You Deserve, Daisy Glaze, September Gurls e I'm In Love With A Girl mostram que eles não perderam a mão.


Bandas influenciadas pelo Big Star


O Big Star ainda lançou mais um disco extremamente fantástico, o Third/Sister Lovers. E aí meus amigos, o estrago já estava feito. Eles, apesar de nunca terem alcançado o sucesso comercial, pegaram muitas gatas. E deixaram um punhado de músicas que virou a cabeça de muito nerd tetudo por aí. Nerds tetudos que, impressionados pelas calças coloridas extremamente apertadas, resolveram formar suas próprias bandas. Replacements, Teenage Fanclub, Wilco, Afghan Whigs e mais uma porrada de gente deve as calças (literalmente) pro Big Star. Estava escrito nas estrelas, o Big Star nasceu pra brilhar (RÁ). Enfim,

Disco: #1 Record/Radio City *
Artista: Big Star
Estilo: Powepop




*Juntos em CD


sábado, 12 de junho de 2010

Afghan Whigs - 1965

Tente imaginar a seguinte situação: Você é líder/vocalista de uma banda de rock alternativo dos Estados Unidos da América. Está ganhando muito dinheiro e cocotas. Participa de filmes e festas. Porém, tudo isso começa a mudar. Suas músicas parecem não “funcionar" e as mulheres já não olham mais pra você. Nem as tuas fãs te querem! O que fazer? Quem procurar? Era assim que Greg Dulli, vocalista do Afghan Whigs, se encontrava. Desde muito cedo, Dulli aprendeu a linguagem do CANALHA. Foi educado ouvindo Isaac Hayes, Marvin Gaye e Barry White. Aprendeu muita coisa com eles, mas não percebeu que na vida, tudo isso pode acabar.

Ele estava transtornado, não sabia mais o que fazer. Fazia meses que ele estava na seca. Um dia em casa, sem nada para fazer, resolveu apelar: Ligou o seu computador e entrou NAQUELES SITES (RISOS), para "passar o tempo". Foi aí que um anúncio começou a mudar a sua vida (não, não foi o Penis Enlargement): FIND A SEX PARTNER IN RIO DE JANEIRO. Ao ler está frase, os olhos de Greg brilharam. Era sua chance, de voltar a ser o GARANHÃO DO PEDAÇO.
Garanhões do pedaço?

Dulli
, sem pestanejar, tirou umas férias da banda e se mandou pro Brasil. Sabia aonde iria ir e sabia o que iria encontar: CARNAVAL! MULATAS! Ele conhecia a fama. Ao chegar no Rio, foi direto pra praia. Mas estranhamente, ela estava vazia. Começou a duvidar daquele anúncio que ele viu na Internet e começou a duvidar do sentido da sua vida. Greg, cabisbaixo, estava caminhando pela praia quando avista um folder rasgado, que dizia o seguinte: "SOMENTE HOJE, SHOW DO MAIOR SUCESSO DO BRASIL,”. O resto ele não conseguiu ler. Como não tinha mais nada a perder, resolveu ir conferir o "maior sucesso do Brasil". E foi aí que sua vida REALMENTE MUDOU.


Ao adentrar na casa de shows, não conseguiu acreditar no que os seus olhos viam: 200 mil mulheres, alucinadas e seminuas, jogando suas calcinhas para aquele ser que, empunhando apenas um violão, fazia as mais belas (E CANALHAS) canções já escutadas por Greg Dulli.

É amigos, Dulli conheceu o MITO, o MESTRE, O MAIORAL, o CANALHA WANDO. No fim do show, foi alucinado atrás desse cara. Ele tinha que falar com ele, descobrir seus segredos. Após o show, esperou Wando "ATENDER" (se é que vocês me entendem) todas as mulheres que foram até o seu camarim, pedir um "AUTÓGRAFO". Após “FALAR” com 50 mulheres, mestre Wando chegou até Dulli e disse: "Me falaram que tu és um artista de roque americano, e quer saber dos meus segredos. Não tente me imitar amigo, eu sou único, eu sou o maior. Mas você pode aprender algumas coisas escutando isto". E entregou uma cópia do seu disco "OBSCENO" ao nosso amigo.
Greg Dulli: o WANDO do rock alternativo

Greg pegou o disco e voltou para os Estados Unidos. E durante um mês, escutou e reescutou. E mostrou pros seus companheiros de banda. E então nasce 1965, o disco mais CANALHA do Afghan Whigs.

1965 é uma foda (ao som do Wando, é claro) entre um negão do Soul e uma Grunge. Os dois, de corações partidos, resolvendo suas diferenças na cama. Solidão, desespero, carência, amor, ódio. Tudo entra nessa foda. É a sujeira dos primeiros discos do Whigs com a luxúria dos melhores discos de Soul que tu pode pensar. E tudo encaixa aqui: o vocal matador do Dulli, as guitarras, a percussão, os backing vocals, o piano e os metais. Ah, os metais! Até um “interlúdio” com sons de foda (parecidos com aqueles que tu escuta todo sábado de noite na band) tem no meio. É pra tu colocar do lado do Let’s Get It On. É de dar orgulho pro Wando. Enfim,

Disco: 1965
Artista: Afghan Whigs
Estilo: Alternative Rock, Soul

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